Dislipidemia: o que o colesterol alto tem a ver com o peso corporal
É comum o paciente receber o resultado de um exame de sangue com o colesterol alterado e pensar imediatamente: "só preciso cortar a gordura da comida". Essa ideia, apesar de intuitiva, simplifica demais um problema que costuma ser bem mais amplo do que a quantidade de gordura no prato.
Dislipidemia é o nome técnico para alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue. Ela tem relação com peso corporal, mas também com genética, hábitos e outras condições metabólicas, e entender essa diferença muda a forma como o tratamento é conduzido.
O que mudou na diretriz brasileira de 2025
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apresentou, no Congresso Brasileiro de Cardiologia de 2025, a nova Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. Entre as principais mudanças está o aperto nas metas de LDL, o chamado colesterol ruim. A diretriz também trouxe atualizações sobre estratificação de risco cardiovascular e, pela primeira vez, detalhou de forma mais ampla o manejo em populações específicas, como pacientes com insuficiência cardíaca.
| Categoria de risco Meta de LDL | |
| Baixo risco cardiovascular | Abaixo de 115 mg/dL |
| Prevenção secundária (evento cardiovascular prévio) | Abaixo de 50 mg/dL |
Para pessoas de baixo risco cardiovascular, a meta do LDL passou a ser manter o valor abaixo de 115 mg/dL. Acima desse número, a recomendação inicial é adotar hábitos saudáveis de forma sustentada, e valores acima de 145 mg/dL já indicam necessidade de considerar tratamento medicamentoso. Já para pacientes em prevenção secundária, ou seja, que já tiveram algum evento cardiovascular, a meta é bem mais rigorosa: LDL abaixo de 50 mg/dL.
Um dado chama atenção nesse contexto: estima-se que cerca de 14,6% da população brasileira tenha LDL elevado, e estudos publicados nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia mostram que boa parte dos pacientes em prevenção secundária ainda não atinge a meta recomendada mesmo em tratamento, seja por desconhecimento do próprio risco cardiovascular, seja por medicação não otimizada.
Por que só cortar gordura da dieta nem sempre resolve
O fígado produz a maior parte do colesterol circulante no corpo, independentemente da quantidade de gordura ingerida na alimentação. Por isso, fatores como predisposição genética, resistência à insulina, gordura visceral e sedentarismo influenciam os níveis de colesterol tanto quanto, ou mais, do que a dieta isolada.
Isso não significa que a alimentação não importa. Ela importa e muito, mas explica por que algumas pessoas com dieta cuidadosa ainda apresentam colesterol alterado, enquanto outras mantêm níveis controlados mesmo sem restrição rigorosa. A resposta individual depende de um conjunto de fatores que só uma avaliação clínica consegue mapear com precisão.
O exame não precisa mais de jejum obrigatório
Outra mudança prática trazida pela diretriz de 2025 é que a coleta do exame de colesterol não precisa mais ser feita em jejum, exceto em casos específicos de triglicerídeos muito elevados. Essa mudança facilita o rastreamento e reduz barreiras para quem adiava o exame por dificuldade de jejum prolongado, o que pode ajudar a identificar mais casos de dislipidemia não diagnosticada.
Quando o tratamento vai além da estatina
Segundo a diretriz, quando a estatina de alta potência isolada não é suficiente para atingir a meta de LDL, a terapia pode ser intensificada com ezetimiba e, se necessário, outras classes de medicamento, como os inibidores de PCSK9. A decisão sobre qual estratégia usar depende do risco cardiovascular individual e da resposta ao tratamento inicial, sempre definida em acompanhamento médico, nunca por ajuste próprio de dose ou combinação de remédios.
Perguntas frequentes
Colesterol alto sempre está ligado a excesso de peso?
Não necessariamente. Genética, função hepática e outros fatores metabólicos influenciam tanto quanto o peso corporal, por isso pessoas magras também podem ter dislipidemia.
Preciso estar em jejum para fazer o exame de colesterol?
Segundo a diretriz brasileira mais recente, o jejum deixou de ser obrigatório na maioria dos casos, exceto quando os triglicerídeos estão muito elevados.
Cortar toda gordura da dieta resolve o colesterol alto?
Nem sempre. Boa parte do colesterol é produzida pelo próprio fígado, então o tratamento costuma envolver mais do que apenas restrição alimentar, incluindo avaliação de risco cardiovascular completo.
Entender a origem real da dislipidemia é o primeiro passo para um tratamento eficaz. Agende sua consulta com a Dra. Juliana Munhoz.
Dra. Juliana Munhoz | CRM-SP 151.903 | RQE 95.662
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica presencial. Não tem finalidade diagnóstica nem promete resultado individual. Nenhum medicamento citado deve ser iniciado, alterado ou interrompido sem prescrição e acompanhamento médico.
Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC); Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose 2025, Arquivos Brasileiros de Cardiologia.


